Sentiram falta do boletim? Depois de uma breve pausa para férias, retomarei a publicação dos boletins de notícias semanais. E que boletins são esses?
Ao me informar acabo lendo, ouvindo e assistindo muito conteúdo bom e em vez de ficar com essa bibliografia só para mim, partilharei contigo por aqui semanalmente nesse boletim. Clique nos textos de cor diferente ou sublinhado para abrir a notícia original. Temos nessa edição 76 do boletim:
1) Backdoors são plantados em dezenas de plugins do WordPress e afetam milhares de sites. backdoors são plantados em dezenas
A descoberta ocorreu após a compra da Essential Plugin por novo dono, que inseriu o código malicioso no ano passado. Ele se ativou em abril e passou a distribuir conteúdo nocivo para mais de 20 mil instalações ativas. É o segundo caso semelhante em poucas semanas e expõe riscos em mudanças de propriedade sem notificações aos usuários.
2) Regulação de data centers avança na Anatel.
A agência mantém diálogo com o setor, academia e órgãos públicos para definir critérios de resiliência, segurança física e boas práticas ambientais. O processo inclui suspensão temporária de exigências específicas. Publicação do texto final após as consultas ainda não ocorreu.
3) Serviço secreto dos EUA desmonta rede com 100 mil chips que ameaçava telecom de Nova Iorque.
Uma estrutura com 300+ servidores capaz de disparar 30 milhões de mensagens/min e sobrecarregar torres de celular foi desmantelada. Suspeita-se do uso por estados e cartéis durante a 80ª Assembleia Geral da ONU. O material permitiria escalar ainda mais a operação.
4) Brasil responde por quase R$ 13 bi em tributos do grupo Telefónica, conhecido pela marca Vivo.
A operação brasileira da operadora espanhola registrou crescimento de 30% na receita em euros, impulsionando os resultados globais do grupo. Além do desempenho comercial, a valorização do real ampliou a participação do país, que agora representa 24% do faturamento total da Telefónica no mundo, superando Espanha e outras regiões da América Latina.
Déjà vu: O peso da operação brasileira no grupo Telefónica atingiu um novo patamar, consolidando o país como o principal motor de receita global ao representar 24% do faturamento total. O cenário marca uma evolução importante em relação ao alerta feito pela Vivo em agosto de 2025 (edição 31), quando a empresa já sinalizava preocupações com a volatilidade cambial e o impacto de tensões comerciais na sua estrutura de custos. Agora, com a valorização do real impulsionando os balanços, a companhia demonstra uma resiliência financeira que contrasta com a cautela estratégica adotada durante aquele período de incertezas macroeconômicas.
5) Brasil é o segundo país mais alvo de ataques DDoS no mundo.
O dado consta do relatório Global DDoS Landscape 2025 da NSFOCUS, que aponta a China na liderança com 26,64% dos alvos. O país também ocupa a quinta posição entre os geradores de ataques na camada de aplicação. Os ataques superam usualmente os 500 Gbps e atingiram pico de 2,6 Tbps em maio, com táticas cada vez mais precisas e voltadas a APIs durante horários de pico.
6) Timeline infinita precisa acabar, diz Felipe Neto.
O youtuber critica o design viciante das plataformas que incentiva o consumo passivo de conteúdo, propondo mudanças como limites de tempo e feeds cronológicos para preservar a atenção e o foco dos usuários, especialmente jovens.
7) Regras da União Europeia trazem seis milhões de usuários ao firefox.
Com a maioria dos novos adeptos vindo do ecossistema da Apple, onde o crescimento atingiu 113% entre usuários de iPhone e Apple Watch, o aumento no Android ficou em 12%. A exigência de telas de seleção de navegadores em novos dispositivos beneficia ainda DuckDuckGo, Opera e Vivaldi, e como os móveis concentram mais da metade do tráfego web, isso pode consolidar alternativas ao Chrome também em desktops.
8) Eficácia da suspensão das videoconferências via Discord é questionável.
Expliquei a esta reportagem da Associated Press como o bloqueio da ANPD sobre o recurso de videoconferência do Discord cria um efeito manada para outras plataformas que estão fora do holofote, resultando numa redução em vez de aumento de crianças e adolescentes. Eu apontar ineficácia nesse bloqueio não é uma dedução ousada e sim uma análise com lastro histórico.
O primeiro marco do combate à pirataria na internet se deu em 2001 quando a indústria fonográfica levou o Napster ao banco dos réus. Nos últimos 25 anos as medidas de bloqueio a plataformas não deixaram vestígios de eficácia. A pirataria é mais próspera e ampla no audiovisual do que antes.
No caso específico da indústria fonográfica, ela se tornou mais exitosa do que a de filmes e séries pois abandonou a ênfase nos bloqueios e começou a oferecer produtos mais baratos via streaming e com ampla coleção de músicas.
A proteção online de crianças e adolescentes precisa de uma migração de paradigma similar, tirando o protagonismo do bloqueio de plataformas e trazendo-o para os pais no uso das ferramentas de controle parental. O bloqueio como proteção aos menores é tão ineficaz quanto este como meio de combate à pirataria.
Inspirado no Aviões e Músicas do guerreiro Lito, faço aqui o meu “Internet e músicas”. Nas próximas edições dividirei convosco a música que tenho mais escutado ou recém-descoberto na semana. A trilha sonora dessa semana é: Secant de Akusmi.
A curadoria dos links desse boletim é minha, um humano, não uma IA, o que é raro de se ver por aí. Para além desse boletim quase semanal, você pode acompanhar vídeos e textos que faço sobre a internet propriamente dita em diversos meios:
Minha coluna semanal sobre TI no TecMundo.
Meu canal no YouTube com vídeos mais longos e análises mais profundas.
Notícias e comentários diários no X.



