Ao me informar acabo lendo, ouvindo e assistindo muito conteúdo bom e em vez de ficar com essa bibliografia só para mim, partilharei contigo por aqui semanalmente nesse boletim. Clique nos textos de cor diferente ou sublinhado para abrir a notícia original. Temos nessa edição 73 do boletim:
1) União Europeia investe R$ 1,5 bilhão no Brasil para expandir conectividade via cabo submarino.
O investimento expandirá o cabo EllaLink (que já liga Fortaleza a Lisboa) ao Pará e Maranhão. A meta é fortalecer a soberania digital, reduzir a dependência de rotas via EUA e preparar o terreno para novos data centers no país.
Déjà vu: Como mencionamos na edição 32, o sistema que conecta Fortaleza a Lisboa já provou seu valor tecnológico e científico ao ser usado para monitorar a temperatura e as correntes do oceano, ajudando cientistas a entenderem as marés e os tsunamis.
2) Vírus Nexcorium compromete câmeras IP de segurança por meio de senhas fracas.
O malware se propaga rapidamente por dispositivos conectados, permitindo acesso remoto a imagens e gravações. Especialistas alertam para a importância de atualizar senhas padrão e habilitar autenticação em dois fatores. A infecção já afeta milhares de equipamentos no Brasil e em outros países, expondo dados sensíveis de usuários residenciais e empresas. Medidas simples de configuração podem evitar a maior parte dos ataques.
Déjà vu: Quem acompanha o Boletim do Ayub sabe que a vulnerabilidade dos dispositivos IoT não é uma novidade, tendo sido um dos focos da nossa edição 11, em março de 2025. O surgimento do vírus Nexcorium confirma a tendência que antecipamos: a proliferação desses equipamentos sem a devida segurança não só facilita ataques massivos de DDoS, como agora expõe diretamente a privacidade dos usuários através do acesso remoto não autorizado a câmeras de segurança.
3) Teoria da internet morta avança 17% rumo à realidade, aponta estudo.
Pesquisadores analisaram dados do Wayback Machine entre 2022 e 2025 e revelaram que 35,3% dos novos sites contam com ajuda de IA, sendo 17,6% totalmente gerados por ela. O fenômeno já reduz a diversidade de ideias e deixa textos mais genéricos e otimistas, embora mantenha acurácia factual e links confiáveis. Scammers e farms de SEO aceleram a proliferação.
4) Zona rural dos EUA resiste ao boom de data centers.
Moradores rurais nos EUA protestam contra data centers, citando uso excessivo de água, ruído e sobrecarga na rede elétrica. Com prefeituras impondo moratórias, empresas de tecnologia buscam incentivos fiscais para contornar a crescente oposição local.
Déjà vu: A resistência de comunidades rurais nos EUA aos novos data centers — agora marcada por protestos contra o consumo desenfreado de água e ruídos locais — coloca um obstáculo inesperado na corrida pela infraestrutura de IA que detalhamos na edição 45. Se no final de 2025 o mercado enfrentava uma escassez crítica de colocation (edição 46), o cenário atual de moratórias municipais aprofunda a pressão política que ambientalistas já vinham exercendo no Congresso desde janeiro deste ano (edição 51), forçando empresas de tecnologia a buscar incentivos fiscais desesperados para contornar a oposição crescente.
5) Como era a experiência de redigir um e-mail dentro de um avião e enviá-lo ao chegar no aeroporto em 1986? Reportagem da BBC da época mostra o procedimento.
O registro histórico mostra os desafios da conectividade portátil na era pré-internet comercial, quando o envio de mensagens de texto entre a Holanda e Londres exigia acopladores acústicos em telefones públicos, além de complexas configurações de redes de comutação de pacotes.
6) Deezer afirma que 44% dos uploads de música novos são gerados por IA.
A plataforma também destaca que a maior parte dos streams apresenta indícios de fraude, levantando preocupações sobre a qualidade do conteúdo e a integridade do ecossistema musical digital. Segundo o relatório, essa onda de produções artificiais impacta diretamente a visibilidade de artistas humanos e distorce métricas de popularidade, exigindo novas estratégias de verificação por parte das gravadoras.
7) Júri considera Meta e YouTube negligentes em julgamento histórico sobre vício em redes sociais.
A decisão obriga as empresas a pagarem US$ 3 milhões em indenizações compensatórias, com a Meta arcando com 70% do valor, além de danos punitivos que elevam o total para US$ 4,2 milhões para a Meta e US$ 1,8 milhão para o YouTube. A jovem Kaley, agora com 20 anos, alegou que Instagram e YouTube contribuíram para sua ansiedade, depressão e dismorfia corporal durante a adolescência. O veredito pode abrir caminho para uma nova onda de processos contra as big techs por falta de medidas de segurança.
8) Servidores do YouTube apresentam capacidade esgotada no Brasil e transmissão da Copa do Mundo recruta servidores de fora do país, gerando instabilidades no streaming.
Com aumento de 40% no tráfego na estreia da seleção, abaixo do esperado. O crescimento veio de CDNs locais como Google e Globo, com redução de upstreams externos. A TV tradicional dividiu espectadores e evitou sobrecarga, mas servidores de big techs saturaram em outros jogos.
Inspirado no Aviões e Músicas do Lito, faço aqui o meu “Internet e músicas”. Nas próximas edições dividirei convosco a música que tenho mais escutado ou recém-descoberto na semana. A trilha sonora dessa semana é: Amazon River de Uakti.
A curadoria dos links desse boletim é minha, um humano, não uma IA, o que é raro de se ver por aí. Para além desse boletim quase semanal, você pode acompanhar vídeos e textos que faço sobre a internet propriamente dita em diversos meios:
Minha coluna semanal sobre TI no TecMundo.
Meu canal no YouTube com vídeos mais longos e análises mais profundas.
Notícias e comentários diários no X.

