Ao me informar acabo lendo, ouvindo e assistindo muito conteúdo bom e em vez de ficar com essa bibliografia só para mim, partilharei contigo por aqui semanalmente nesse boletim. Clique nos textos de cor diferente ou sublinhado para abrir a notícia original. Temos nessa edição 71 do boletim:
1) Com países já ultrapassando 70% da adoção do IPv6 e a França atingindo 86%, a comunidade técnica amplia o debate sobre o desligamento do IPv4 e a operação de redes IPv6-only.
Artigo publicado no IEEE faz um panorama das técnicas de adoção de IPv6-only, como e onde ele tem sido adotado. Redes IPv6 são mais baratas e de menor latência do que as ainda mantidas por retrocompatibilidade com o obsoleto IPv4.
2) Você sabia que desde 2016 os aplicativos para iOS precisam ser compatíveis com redes IPv6-only (sem endereço IPv4) para serem aprovados pela Apple na App Store?
Produtos incompatíveis com redes IPv6-only devem ser considerados obsoletos. Com o tráfego global majoritariamente em IPv6, manter sistemas legados apenas por retrocompatibilidade em IPv4 não é mais sustentável. É hora de atualizar sua infraestrutura.
3) AWS adquire 9 milhões de endereços IPv4 a um custo estimado de 360 milhões de dólares.
Custo é repassado ao usuário, já que cada endereço IPv4 utilizado na nuvem da Amazon é cobrado por hora de uso enquanto o IPv6 é gratuito. A transação eleva o inventário da empresa para mais de 200 milhões de endereços, avaliados em até 8,2 bilhões de dólares, elevando o custo do uso do IPv4 para todos os clientes diretos e indiretos da empresa.
4) Vândalos invadem provedor em Curitiba e cortam fibra óptica principal. 3 mil assinantes ficaram sem internet.
Ataque no bairro Xaxim causou prejuízos e insegurança. Após falha inicial, criminosos retornaram com ferramentas pesadas e violaram o local. Empresa registra custos de reparo, perda de clientes e busca reforçar a segurança operacional na região.
Déjà vu: Quem acompanha o Boletim do Ayub não se surpreende com a recente invasão a um provedor em Curitiba. Este episódio é um desdobramento direto da preocupante tendência que exploramos na edição 58, quando discutimos a dificuldade de frear a influência de grupos organizados sobre a infraestrutura de banda larga em territórios vulneráveis. O que vimos no bairro Xaxim reforça o alerta de que a rede física tornou-se o novo campo de batalha, onde a sabotagem deliberada impõe prejuízos operacionais e desafia a soberania do serviço prestado.
5) Operação PowerOff derruba 53 domínios de DDoS e prende suspeitos.
Coordenada por autoridades de 21 países, incluindo o Brasil, a ação da Europol apreendeu bancos de dados com três milhões de contas criminosas, realizou quatro prisões e distribuiu 75 mil alertas a usuários de serviços ilegais. Além de bloquear os domínios, removeu mais de cem URLs de buscas e atingiu a infraestrutura que facilita ataques por encomenda com baixo conhecimento técnico.
6) Mais de 80% dos brasileiros veem forte influência das redes sociais na opinião pública.
O percentual sobe para 90% entre quem possui ensino superior e cai para 76% entre quem tem apenas fundamental. WhatsApp é a principal fonte de informação para 79% dos entrevistados, enquanto 83% já identificaram notícias falsas, o que reduziu a confiança de 58% deles nas plataformas. A maioria defende punições para quem compartilha ou produz conteúdo falso.
7) O Brasil criou uma rede social em 1982, antes da internet, e quase ninguém se lembra.
Implementado pela Embratel durante a ditadura militar, o experimento pioneiro Ciranda conectou usuários via computadores nacionais como o CP500. A iniciativa, porém, sucumbiu diante de altos custos, barreiras burocráticas e a vitória definitiva do protocolo aberto TCP/IP sobre o X.400.
8) Alerta da defesa civil varia por antenas de celular e não por localização exata.
O sistema distribui mensagens via torres de celular, permitindo que bairros adjacentes tenham experiências distintas dependendo da área mapeada. Fatores como sinal, modelo do aparelho e configurações também influenciam o recebimento, sem depender de apps ou internet. O disparo indevido ocorreu após invasão à plataforma, que foi tirada do ar pela defesa civil nacional. Ajudei a reportagem do g1 explicar o assunto.
9) O que uma geladeira, a urna eletrônica e as centrífugas de enriquecimento de urânio do Irã têm em comum?
A invasão do IDAP usado pela Defesa Civil por um menor de idade ocorrida no último final de semana reacendeu o debate sobre a qualidade do software produzido pelo poder público. Tenho lido comentários de profissionais de TI dizendo que esse caso não deve inspirar preocupações quanto a urna eletrônica por esta não estar conectada à internet “tão quanto uma geladeira”. Não é o que a bibliografia nos diz. Trago o exemplo do malware Stuxnet que danificava centrífugas de urânio, sistema totalmente offline.
Inspirado no Aviões e Músicas do Lito, faço aqui o meu “Internet e músicas”. Nas próximas edições dividirei convosco a música que tenho mais escutado ou recém-descoberto na semana. A trilha sonora dessa semana é: Montage de Philip Glass.
A curadoria dos links desse boletim é minha, um humano, não uma IA, o que é raro de se ver por aí. Para além desse boletim quase semanal, você pode acompanhar vídeos e textos que faço sobre a internet propriamente dita em diversos meios:
Minha coluna semanal sobre TI no TecMundo.
Meu canal no YouTube com vídeos mais longos e análises mais profundas.
Notícias e comentários diários no X.


