A Internet não está esquisita somente aí. Cloudflare, o serviço mais popular de proteção de sites (WAF+CDN) enfrenta instabilidade mundialmente deixando milhões de sites fora do ar no dia de hoje. A empresa ainda não se posicionou sobre a causa raiz.
O Downdetector, site que reúne queixas de serviços fora do ar e é um bom termômetro para avaliar o impacto de apagões, é um dos clientes da Cloudflare e está fora do ar como efeito colateral. Ou seja, até o termômetro quebrou antes de medir a febre.
Durante essa crise, o Filipe Deschamps fez uma descoberta interessante e que tem muito a nos ensinar sobre como a interdependência é um problema que é dificilmente avaliado, mas cobra o débito técnico com juros e correção monetária. Um dos motivos para em massa as pessoas acessarem o Registro.br é retirarem a Cloudflare como servidor de DNS autoritativo. E quem depende da Cloudflare para funcionar? A tela de login do Registro.br. Estamos com todo o .br trancado com a chave do carro dentro.
Em outras palavras, o serviço da Cloudflare não é essencial para a maioria das empresas e pode ser desligado, para que os sites sejam servidos aos usuários sem as proteções adicionais que a empresa os confere. Mas a tela de login do sistema administrativo de domínios brasileiros que permitiriam o desligamento da Cloudflare também depende da Cloudflare e está impedindo o desligamento do serviço defeituoso.
Esse é o terceiro apagão de serviços populares da infraestrutura da Internet somente nos últimos 30 dias. Uma temporada pedagógica para ensinar a todos sobre a importância de ter planos B. Falei disso na minha última coluna, que você pode ler na íntegra aqui.
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